sexta-feira, 5 de julho de 2019

Resenha - "O caso das sete Marias", de Flávio Ramos Moreira



“O caso das sete Marias” conta a história de sete irmãs com nomes compostos, todos iniciados por “Maria”. Elas têm uma relação bastante conturbada, unindo-se somente quanto aos cuidados que devem à tia, cada uma em um dia da semana – parte da obrigação para que elas possam receber a generosa herança de “Tia Zuzu”, que, por outro lado, não é tão generosa assim. Todo o desenvolvimento, no entanto, gira em torno do assassinado da senhora, sendo que a única certeza que se tem é que foi realizado por uma das sobrinhas.

O livro, de autor brasileiro, tem disponibilidade somente de forma virtual, isto é, pelo Kindle, não contando, ainda, com uma publicação física. Entretanto, é interessante explorar conteúdos que não são campeões de venda e afins, incentivando novos escritores, e, consequentemente, a literatura nacional.

Pontos positivos
  • O autor utiliza o termo “detetive” a seu favor, uma vez que este não faz referência a nenhum gênero específico, facilitando na identificação entre leitor e personagem;
  • Mostra a importância da união familiar;
  • Leitura dinâmica e viciante, dá pra ler numa tarde, facilmente;
  • Críticas sociais, principalmente em torno de Maria de Fátima, que possui um relacionamento homoafetivo, e de Dra. Maria Regina, que “perdoou” a traição do marido com uma de suas irmãs, a fim de manter a imagem, evitando o título de “divorciada”.


Pontos negativos
  • Percebi diversos equívocos quanto à parte técnica. Acredito que ninguém precisa ser PhD em um assunto para escrever sobre ele, mas algumas questões precisam ser pesquisadas e ter uma reflexão em cima, para não perder a veracidade. Todavia, alguns fatos, como a investigação ter começado antes da autópsia, que explicaria, realmente, a causa da morte, e a inserção de um detetive particular, numa investigação que deveria ser feita exclusivamente pela polícia, de forma escrachada, não podem passar em branco;
  • Os diálogos, em alguns momentos, foram bastante forçados, com respostas e reações que provavelmente ninguém teria na “vida real”;
  • Percebi, também, alguns erros quanto à escrita e digitação, como ausência de crase em diversos momentos necessários, o que demonstra falta de cuidado na fase da revisão.

O veredito final é, portanto, de que a história é gostosa de ler, e te deixa com vontade de descobrir quem teve a coragem de assassinar a própria tia. Porém, para o meu gosto pessoal, as questões técnicas afetam bastante, dando certo desânimo.

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